terça-feira, 6 de novembro de 2012

OLAVO LACERDA MONTENEGRO


A emancipação

Eram as eleições municipais de 1963. Carnaubais pertencia a Assu. O deputado estadual Olavo Lacerda Montenegro apoiava Walter de Sá Leitão que disputou o poder executivo assuense com Maria Olímpia Neves de Oliveira. Ao abrir as urnas o resultado não agradou o deputado Olavo que viu Maria Olímpia vencer a disputa. Inconformado com a derrota, Olavo Lacerda usou o prestígio que tinha junto ao governador da época Aluízio Alves e encaminhou um projeto de Lei à Assembléia Legislativa a fim de emancipar Carnaubais de Assu. O projeto foi aprovado no dia 18 de setembro de 1963, marcando uma nova etapa na história carnaubaense, além de prejudicar a administração da prefeita Maria Olímpia que teria que administrar sem a arrecadação pela extração do sal feita pela firma Matarazzo nas salinas de Logradouro que a partir da emancipação pertenceria ao novo município. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

OLAVO LACERDA MONTENEGRO: O EMANCIPADOR


Olavo Lacerda Montenegro (1921-1999), nasceu na cidade de Açu (RN). Seu pai Manoel Pessoa Montenegro natural de Macau, litoral potiguar, chamado Manoel Pessoa Montenegro (Manezinho) foi prefeito do Açu durante 13 anos consecutivos nomeado por Getúlio Vargas. Sua mãe Maria Lacerda Montenegro era também açuense, por sinal, nome de uma das principais avenidas de Nova Parnamirim, região metropolitana do Natal (avenida Maria Lacerda). Olavo ainda jovem deixou o Açu para fixar morada na capital natalense onde casou-se com Neide Galliza Montenegro. Exereceu o mandato de deputado estadual em cinco legislaturas consecutivas: 1958, 1962, 1966, 1970 e 1974. Deputado combativo (ele foi um dos responsáveis pela formação da Cruzada da Esperança que levou Aluízio Alves ao Governo do Rio Grande do Norte, em 1960), defendia os interesses especialmente do Vale do Açu, importante região da terra potiguar. Na qualidade de deputado foi o autor da lei que elevou e deu foros de cidade os municípios de  Alto do Rodrigues, Carnaubais e Pureza. Foi também sócio fundador da ANORC - Associação Norte-Riograndense de Criadores chegando a ser presidente daquela instituição, contribuindo consequentemente para a agropecuária do seu estado, bem como um dos sócios fundadores da Rádio Princesa do Vale, de sua terra natal. Deixou, além da sua esposa, cinco filhos, netos e bisnetos.

Fonte: blogdofernandocaldas.blogspot.com.br

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ABEL ALBERTO DA FONSECA

O empreendedor
Abel Alberto da Fonseca nasceu em 25 de Março de 1887 na comunidade assuense de Panon. Em 1910, mudou-se para o povoado de Poço da lavagem, onde se dedicou a atividades comerciais. Neste mesmo ano também aconteceu o seu casamento com a Sr.ª Júlia Câmara, que era natural de Ceará-Mirim. O casal teve apenas um filho. Júlia adoeceu e faleceu prematuramente, então Abel casou-se com a Sr.ª Iracema Borja da Fonsêca com quem viveu até o fim de seus dias e tiveram uma filha. Abel ainda teve um caso extraconjugal com a jovem França Fernandes e com ela gerou quatro filhos.
Abel Alberto teve uma participação social, política e econômica intensa em Poço da Lavagem, pois neste lugar ele construiu o que veio a ser o seu famoso sobrado, obra que marcou a arquitetura local da época que era acostumada com as modéstias casas de taipas. Em 1913 ele organizou a feira livre aos domingos pela manhã. Em 1914 instalou uma indústria para descaroçar algodão. Devoto de Santa Luzia e segundo alguns mais velhos, devido a uma promessa, consegue mudar o nome do povoado de Poço da Lavagem para Santa Luzia, tornando-a padroeira daquele local, organizando as festividades alusivas à santa e liderando o movimento para a construção da Igreja de Santa Luzia em 1913.

Em 1926, montou um engenho para fabricar rapadura, além de possuir uma usina de fazer cera de carnaúba. Em 1928 contratou a primeira professora do povoado, a Sr.ª Francisca Borja e em 1929 lutou e conseguiu a instalação de um telefone público, o primeiro do povoado, que teve como sua primeira telefonista a Sr.ª Iracema Borjes da Fonsêca.

Em 1951, Abel foi morar na cidade de Assu e oito anos depois, em 17 de Abril de 1959, ele morreu naquela mesma cidade, deixando um legado muito grande de trabalho e melhorias na vida dos moradores de Santa Luzia (Carnaubais). 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

FRANCISCO PEREIRA DE ALBUQUERQUE

Carnaubais na História


Bandeira da Confederação do Equador à esquerda e bandeira de Carnaubais à direita

A Confederação do Equador foi um movimento emancipatório que reagiu contra o absolutismo e centralização política do governo de D. Pedro I (1822 - 1831) demonstrada na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país, e pretendia formar uma república independente. A revolução aconteceu no Nordeste do Brasil em 1824, tendo como fonte o estado de Pernambuco e a adesão posterior do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Piauí.


O governo imperial reagiu de forma violenta, montando uma resistência com tropas mercenárias. Prenderam os principais líderes e condenaram nove deles à morte. Figura central do movimento, Frei Caneca, foi morto a tiros em 1825, depois do carrasco ter recusado executá-lo na forca.

Alguns participantes do movimento, após a derrota, temendo a punição do governo fugiram para outros estados. Um desses fugitivos chamava-se Francisco Pereira de Albuquerque que em 1825, trouxe consigo sua família e outras pessoas e se refugiou nas terras onde hoje se encontra a cidade histórica de Carnaubais, dedicando-se a agricultura e pecuária. Em 1847 ele construiu a primeira casa de alvenaria daquela localidade e é apontado por alguns carnaubenses mais antigos como o primeiro habitante branco dessa cidade.  

sexta-feira, 1 de junho de 2012

OS FUNDADORES

Carnaubais na História

Olavo Lacerda Montenegro na foto à esquerda e Valdemar Campielo Maresco no centro da foto à direita

Neste mês, este blog tem como objetivo falar de alguns personagens que contribuíram bastante para a fundação (falo no sentido mais amplo da palavra) de Carnaubais. Quatro figuras estarão presentes: Francisco Pereira de Albuquerque, o primeiro branco; Abel Alberto da Fonseca, o empreendedor; Olavo Lacerda Montenegro, o emancipador e Valdemar Campielo Maresco, o prefeito na hora das mudanças.

Seção "Os Fundadores", vamos acompanhar!  

quinta-feira, 3 de maio de 2012

CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DOS MISSIONÁRIOS

A Escola Brasileira

Fred e Virginia McClanahan não contribuíram com Carnaubais apenas na esfera religiosa, mas também na esfera social, mais especificamente no setor educacional.

Certificado de conclusão do ensino primário do ano de 1969 da aluna da Escola Brasileira Maria Edileuza Cabral.


Os missionários fundaram um grupo escolar chamado de "A Escola Brasileira" que oferecia ensino primário (do infantil a 4ª série na época) as crianças carnaubaenses. Não sabemos a data da fundação da escola. A cima, para ilustrar, temos o certificado de conclusão do ensino primário da aluna Maria Edileuza Cabral, que estudou na escola de Seu Fred e hoje trabalha como professora do Complexo Educacional Luiza Cavalcante - CELC em Carnaubais. 

Seu Fred e Dona Virginia tentaram estender o grau de ensino a fim de que a escola pudesse proporcionar o nível ginásio (de 5ª a 8ª série na época). Eles ainda conseguiram oferecer a 5ª e a 6ª série, mas por falta de apoio o ensino ginásio não expandiu até as últimas séries nem durou muito.

A Escola Brasileira também dava oportunidade aos seus alunos concluintes de continuarem seus estudos no Colégio Bereiano, uma escola batista, em Natal. Algumas pessoa de Carnaubais seguiram essa proposta.

Depois da partida da família McClanahan A Escola Brasileira não continuou as suas atividades, mas deixou sua contribuição na formação educacional de muitas crianças na época.  

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O SERVIÇO DOS MISSIONÁRIOS

Surgimento da primeira igreja evangélica em Carnaubais

Por volta do ano de 1959 chegaram a cidade de Carnaubais o casal de missionários americanos Fred e Virginia McClanahan. Eles foram enviados pela Associação dos Batistas para o Evangelismo Mundial, uma organização missionária que desde 1939 tinha começado um trabalho na área peruana do rio Amazonas e naquele momento estavam voltados para o nordeste do Brasil. Coube para o serviço do casal McClanahan as terras da cidade de Carnaubais que na época da chegada deles ainda era uma vila pertencente a cidade de Assu, vindo a emancipar-se e tornar-se uma nova cidade quatro anos depois, em 1963.

Panfleto trazido pelos missionários explicando a missão deles. Note que a inscrição do panfleto encontra-se na língua dos missionários, o inglês.


Em Carnaubais já existiam pessoas convertidas ao evangelicalismo, mas não havia nenhuma denominação implantada, os convertidos congregavam em cidades vizinhas. Mas a partir do trabalho dos missionários, foi implantada a primeira denominação evangélica de Carnaubais, a Igreja Batista Regular. A partir daquele momento, de forma inédita, a nova cidade possuía duas representações religiosas, a Igreja Católica, que já existia e a Igreja Batista Regular (evangélica). Logo, pessoas foram se convertendo, aumentado o número de evangélicos da cidade e alguns deles passaram a auxiliar o ministério de Fred e Virginia. No início a Igreja Batista não possuía templo, sendo o culto e os demais serviços realizados sob tendas de lona nas proximidades da comunidade de Timbaúba. Estas tendas lembravam em sua forma o tabernáculo do Antigo Testamento. Depois de algum tempo, com a ajuda dos membros, foi edificado o primeiro templo evangélico de Carnaubais, localizado no antigo centro deste município que na época encontrava-se na várzea (hoje o centro urbano localiza-se no tabuleiro), próximo ao sobrado de Abel Alberto da Fonseca. 

Seu Fred e Dona Virginia como eram mais conhecidos pelos populares, permaneceram por mais de uma década em Carnaubais a frente dos serviços da Igreja Batista. Porém, a contribuição deles não se resumiu ao âmbito religioso e este blog falará mais disso nas próximas postagens.

Acompanhem.